terça-feira, 28 de janeiro de 2014

A Ilha de Plástico


"Se os seres humanos contarem apenas com o desenvolvimento material não podemos ter a certeza de um resultado positivo. Empregando tecnologia motivado por raiva e ódio é provável que seja destrutivo. Ele só será benéfico se buscarmos o bem-estar de todos os seres. Os seres humanos são a única espécie com potencial para destruir o mundo por causa dos riscos do desejo desenfreado e a ganância. Precisamos cultivar o contentamento e simplicidade".Dalai Lama



A ILHA DE PLÁSTICO

"Não sabia o que está frequentemente acontecendo em nosso mar, como estão mudando os seus frágeis equilíbrios, não sabia que isto tivesse uma direta consequência sobre a vida que vivemos, não sabia que havia cinco grandes continentes de plástico e que o nosso Mediterrâneo está se transformando num mar de plástico, não sabia nem quanto mercúrio existe nos peixes que comemos e quanto TNT (explosivo)foi jogado durante a segunda guerra mundial, quantas bombas estão no fundo do mar. Sigam-me, sigam-me nesta longa viagem, entrem a bordo". Nicolò Carnimeo.



TRADUÇÃO POR MARI WEIGERT DO VÍDEO ITALIANO - ORIGINALMENTE PUBLICADO NO BLOG DO BEPPE GRILLO
"A Ilha de Plástico
"Sou Nicolò Carnimeo, ensino na Universidade Bari, mas também sou um escritor e um navegador e nestes últimos três anos realizei uma longa viagem em vários oceanos que levaram ao nosso Mediterrâneo e quero contar a minha experiência.
A minha viagem no mar de plástico partiu de Londres, onde encontrei quem descobriu o Great Pacific Garbage Patch ( A grande Manche de Lixo do Pacífico), e que coisa é essa? É uma imensa ilha formada de todos os resíduos de plásticos que jogamos nos últimos 50 anos. O mar, por intermédio das correntes, carrega estes resíduos em alguns pontos e ali ficam e talvez permaneçam para sempre.
Este comandante se chama Charles Moore. Andamos juntos a ver a ilha de plástico. No meu livro "Como é profundo o Mar (Editora Chiarellettere) a chamo de ilha que não existe porque em efeito é formada de bilhões e bilhões de fragmentos transformados em pó, considerando que o plástico no mar se deteriora e se degrada com o temo. Por que isto é perigoso? Porque imitam plâncton, a base da cadeia alimentar. Os peixes o comem, dos pequenos aos gigantes, e os fragmentos de plásstico entram na cadeia alimentar e chegam até nós, com as consequências que nós conhecemos.
Como se dar conta que existe plástico? Mesmo que a água pareça cristalina, limpa, basta colocar uma rede de arrasto, conhecidas como "MantaTrawl", uma espécie de funil que filtra o mar e quando vem para fora esta rede  nos damos conta da quantidade de plástico proveniente dos oceanos que passamos a monitorar no Mediterrâneo. Participei de uma expedição científica que se chama "Expedition M. e d. " e descobrimos algo devastador: que o nosso Mediterrâneo é um mar composto de plástico e muito mais que há bilhões e bilhões de micro fragmentos. A mesma areia onde caminhamos infelizmente é de plástico. Faça uma prova, pegue uma espécie de rastelo, aquele que usamos para as crianças brincarem e olhe quantos micro fragmentos têm a areia.

De onde vem a ilha de plástico? Nós a formamos com os milhões de objetos plásticos, de polietilenos, que usamos todos os dias e jogamos fora, como copos, pratos, garrafas.

Quando foi inventado o plástico, um prêmio Nobel, Flory o definiu como o elemento que a natureza esqueceu de criar. Pois sim, somos nós seguros disso? Não pode existir nada que não seja composta por elementos simples e que não seja absolutamente biodegradável. Assim deve ser a nossa passagem por esta terra. Nos se deve deixar nenhum rastro. Navegando aprendi que deve ser como quando se vai com um barco a vela, a proa abre uma trilha, passamos no meio desta trilha e em seguida ela fecha atrás de nós.
O plástico não é o único elemento devastador de nossos mares. Identificamos também o mercúrio e nisso estou de acordo sobre Gargano quando sete jovens baleias cacholetesencalharam. Eram nascidas e crescidas no Mediterrâneo. Qualquer coisa de terrível aconteceu ali que nadaram até a costa do Gargano, as sete nadaram incessantemente sem comer, para morrer ali. Todas as causas são possível, mas com certeza uma é certa: o mercúrio. Quando analisaram os tecidos das jovens baleias encontraram vestígios de todos as substâncias que jogamos no mar, entre as quais o mercúrio que está entre os mais perigosos.

Temos dois tipos de riscos, uma quando a poluição é específica, isto é no caso de uma fábrica que despeja poluentes ou mercúrio numa determinada área e o outro quando a poluição é generalizada por consumidores. Na Baia de Minamata, não havia poluição numa comunidade específica de pescadores japoneses que comiam peixe e no entanto o mercúrio entrou no organismo dos peixes e com isto provocou cerca de mil mortes. Mas não devemos pensar que Minamata está assim tão longe porque também em nosso Mediterrâneo temos Augusta Priolo, Taranto!

O mercúrio para as mulheres grávidas se acumula no feto e provocam mal formações. O que aconteceu em Minamata acontece para nós também. Então, assim como as baleias cachalotes, os nossos filhos nascem com o estigma de uma escravidão que nós a damos como herança antes de nasceram, uma forma de escravidão pré-natal. É esta herança que queremos deixar?
Nesta longa viagem eu falo também sobre TNT, dos arsenais bélicos que foi jogado ao mar, sim, porque achamos que mar seja a nossa descarga, considerando que ao jogarmos não vemos mais. Ao contrário, as bombas permanecem ali, os armamentos também, tudo isto que foi jogado ao mar, como os japoneses em Fukushima, depois do acidente da central nuclear, mais cedo ou mais tarde vai voltar.

O nosso sistema econômico não contempla a natureza e pensamos que os recursos são inesgotáveis, mas não é assim! Somos nós que devemos nos adequar a ela. Encontrei pessoas que dedicaram suas vidas ao mar e são pessoas comuns, que descobriram a ilha de plástico, o como o comandante Charles Moore, fez o trabalho de um carpinteiro. Ele doou todo o seu dinheiro para ser utilizado na pesquisa e difusão das formas de conter a poluição marítima. Eu encontrei comandantes da Marinha Militar, mergulhadores, esses heróis silenciosos, que vão para baixo nas profundidades do mar, com formão, remover as bombas, arriscando suas vidas e ninguém conhece sabe os seus nomes e nem se tornam famosos. Nos devemos fazer como eles em nossa vida cotidiana, basta apenas nos propormos a fazer gestos simples, quando fazemos compras no supermercados principalmente, carregar a sua própria sacola, usar garrafas de vidro, que é possível reciclar e não jogar no ambiente. Não jogue nada na natureza! Nem todas as sacolas são biodegradáveis e elas chegam ao mar fragmentadas e se transformam em pó. Devemos escolher plásticos recicláveis e de compostos simples. Salvem o mar! Passem estas palavras". Nicolò Carnimeo.


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