sexta-feira, 29 de abril de 2011

Interessante análise de Issac Bigio sobre o casamento real

Qui, 28 de Abril de 2011 17:34

Issac Bigio*/Especial para BR Press



(Londres, BR Press) - Na semana que termina com o casamento Real, tive a oportunidade de percorrer várias partes do Reino Unido, estudando como seus habitantes se preparam para tal acontecimento. Cheguei a visitar um dos principais castelos onde reside a rainha, e o iate real, que, durante 44 anos, transportou Elizabeth II, levou os príncipes Charles e Diana em sua lua-de-mel e no qual William deverá percorrer seu país e o mundo.



Uma coisa que pude constar é a tremenda força da tradição monárquica. Desde a Inglaterra até a Escócia. Possivelmente, nenhuma outra monarquia desfruta de tal grau de legitimidade entre sua própria população. As que subsistem no mundo árabe e na Ásia baseiam-se em muita coerção e repressão, enquanto que no Reino Unido, desde que se fundou, em 1707, a monarquia respeitou liberdades e realizou eleições parlamentares.



Nos seus 314 anos de existência, o Reino Unido nunca conheceu um golpe ou uma revolução, invasão ou guerra civil (ainda que tenha sofrido bombardeios nazistas e enfrentado conflitos armados na Irlanda e na Escócia). Nenhuma potência e nenhuma outra monarquia do planeta têm tal grau de estabilidade.



Liberal



A realeza britânica fez-se forte distanciando-se do obscurantismo e da grande concentração de poder que levaram à ruína outras famílias de sangue azul. Permitiu governos baseados em eleições multipatidárias e liberdades de culto e de comércio, o que lhe deu uma vantagem sobre o autoritarismo espanhol e abriu-lhe a possibilidade de converter-se no centro da revolução industrial e da maior frota mundial.



O fato de o Reino Unido ter se transformado no primeiro país com uma população majoritariamente urbana e coberto de fábricas deu à monarquia inglesa um enorme peso econômico e social, que se consolidou na formação do maior império ultramarinho de todos os tempos (uma das heranças da Commonwealth, liderada por Elizabeth II).



Competência



A coroa ganhou legitimidade em sua população combinando a salvaguarda da soberania nacional contra diversas fracassadas invasões (desde a espanhola de Felipe II até a nazista de Hitler, ambos encabeçando os maiores impérios de suas épocas), com a capacidade de significar a preservação das tradições imperiais, culturais e de tolerância britânicas.



A resposta que deu ante a emergência de poderosos movimentos sindicais e socialistas foi, assim como nas monarquias do Mar do Norte, cooptá-los ao sistema, permitindo que estes movimentos tivessem seus próprios governos, realizando reformas sociais que deram origem a sistemas educacionais e de saúde mais avançados que os dos EUA.



Renovação



A britânica é uma monarquia que se consolidou renovando-se e atraindo lindas mulheres fora de seu círculo tradicional (como Diana e Kate), que atuam como símbolos das portas abertas para a população "plebéia".



Estive nos principais palácios reais como os de Windsor e Buckingham, mas o de Hollyrood, residência oficial da rainha britânica na Escócia, me chamou a atenção num sentido, pois está localizado em frente ao novo Parlamento escocês, que deve reeleger, no próximo dia 5 de maio, um governo pró-secessão.



A habilidade dos Windsor está em que, ainda que a Escócia se torne independente, a coroa mantenha o país como outro de seus reinos (como o são Canadá e Austrália) e um dos membros da Commonwealth (como o são 54 países, incluindo a Índia e o Paquistão).



(*) Isaac Bigio vive em Londres e é pós-graduado em História e Política Econômica, Ensino Político e Administração Pública na América Latina, pela London School of Economics. Tradução de Angélica Campos

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