sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

O que é pior: Itália ou Brasil


Passei uns dias em Roma e vi agitação do povo italiano em relação ao comportamento juvenil do primeiro-ministro Silvio Berlusconi envolvendo-se em aventuras com "belle ragazze" com sexo, dinheiro e poder.

A sociedade italiana está dividida. A direita defende Berlusconi desta forma: é muito rico e de sua vida pessoal, faz o que deseja. A oposição critica e alega que é um homem público e não pode se expor desta forma.

No ponto de ônibus em Roma, num papo com duas italianas desconhecidas, uma senhora de idade e outra mais nova, sobre Berlusconi e suas festas, pasmem, escutei da mais velha esta pérola: mas você não tem marido italiano? (como se dissesse você não conhece o teu marido porque todos eles são assim iguais a Berlusconi).
A outra, pelo contrário, timidamente dizia que era uma vergonha, mas que ela não podia fazer nada. Interessante, a posição da mulher italiana sobre o assunto. No entanto tem a turma que pede a saída dele e se expõe num domingo ensolarado de fevereiro, pedindo assinaturas do povo para compor um abaixo-assinado.

Isso me fez refletir sobre nós brasileiros...Não temos um Berlusconi "il grande maschile" aos 74 anos, ufa... mas, por outro lado, assistimos a vil maladragem dos políticos em legislar em causa própria, concedendo a eles mesmo um exorbitante reajuste salarial enquanto a discussão do salário-mínimo se perde na mesquinha quantia de R$545,00.
Vale divulgar de novo, milhões de vezes se possível, o vídeo que mostra a recusa do bispo de Limoeiro do Norte, Dom Manuel Edmilson da Cruz,em receber a comenda Dom Helder Camera, no Senado. O protesto foi em função do reajuste 61,8% concedido aos deputados e senadores.
É vergonhoso para um Brasil,em que o povo que depende do SUS precisa entrar na fila para fazer uma cirurgia e às vezes nem faz porque morre sem assistência médica. Minha ex-diarista precisou pagar os exames pré-operatórios para um tratamento de câncer de mama porque pelo SUS iria levar meses e doença poderia evoluir a tal ponto que não daria para controlar.

É vergonhoso para um Brasil em que as escolas estão depredadas e os professores ganham mal. Num país, em que o povo, em algumas regiões, não tem o básico para comer.

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