sexta-feira, 16 de julho de 2010

Um jardim para encontrar a luz e a cor





O que mais me fascina nas obras de Claude Monet é a busca do pintor em exaltar a natureza e os reflexos da luz. Me transporto ao tempo em que viveu Monet, no início da era industrial, de efervecência e transformação. O mundo das artes se voltava para mais incrível invenção do século: a fotografia.
- Em 19 de agosto de 1839, o Governo francês anunciou a fotografia na Academia de Ciências e Academia de Belas Artes de Paris, por um processo denominado Daguereótipo, inventado por Louis Jacques Daguerre.
- Monet nascia em 1840, viveu até 1926. Em um de seus quadros, uma catedral no norte da França - ele pintou mais de 30 vezes para mostrar o poder transformador da luminosidade. Por que esta necessidade?
- Entre as décadas de 30 e 40, do século XIX, nasceram os ícones do modernismo na pintura, Degas, Manet, Monet,Renoir, em meio a grande discussão em torno da mais nova invenção. Acalorados artigos aobre assunto circulavam na sociedade neste século. O crítico de arte francês, da época, Charles Baudelaire foi um deles. Não se conformava com possível idéia da fotografia usurpar a arte pictórica.

- Um trecho de uma das cartas de Charles Baudelaire dá idéia de como a situação se processava com o advento da fotografia.
Salão de 1859”. “O Público Moderno e a Fotografia”: (...) “Em matéria de pintura e de estatuária, o credo atual das gentes do mundo, sobretudo na França, é este: ‘Eu creio na natureza e apenas na natureza (há boas razões para isso). Creio que a arte é e só pode ser a reprodução exata da natureza. Assim, a indústria que nos der um resultado idêntico à natureza seria a arte absoluta. Um Deus vingador exaltou os votos dessa multidão. Daguerre foi seu messias. E agora ela diz: Como a fotografia nos dá todas as garantias desejáveis de exatidão (eles crêem nisso, os insensatos!), a arte, é a fotografia. A partir desse momento, a sociedade imunda pôs-se à rua, como um só Narciso, para contemplar sua imagem trivial sobre o metal.” (....)

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