terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

Por serviços mais eficientes em cartórios brasileiros

Não é sem razão que está vaga a titularidade do Cartório de Registro de Imóveis de Pinhais e de muitos outros cartórios que brincam com a paciência e com os nervos de um cidadão que necessita registrar um imóvel. Situações burocráticas, absurdas, são vividas todos dias nos balcões de atendimento destes locais. Um rapaz entrega a documentação exigida pela prenotação e o funcionário do estabelecimento avisa que ele esqueceu de autenticar. Mas ele não esqueceu, apenas não foi solicitada a exigência anteriormente. "Mas porque näo me avisou quando eu fui regularizar o documento, agora vou esperar mais 15 dias e voltar no mesmo local em que estive", reclama.

Ou então, em outros casos, os papéis permanecem há mais de quatro meses sem nenhuma resposta clara sobre o assunto. "Está sob a análise", respondem. Estas situações são normais no dia a dia e a justificativa dos funcionários para o fato é acúmulo de serviço e pouca gente para trabalhar.


SE EXISTE SERVIÇO É PORQUE O NÉGOCIO DÁ LUCRO E SE DÁ LUCRO PORQUE NÃO MELHORAR A INFRA-ESTRUTURA PARA REALIZAR AS TAREFAS COM EFICIÊNCIA?


A incompetência é a principal razão de tanta burocracia. As exigências para regularização de um documento são solicitadas em doses homeopáticas. A cada linha que o cartorário analisa e encontra uma irregularidade, prenota e ganha tempo para terminar a análise, coloca mais 15 dias de prazo. Assim vai levando e prenotando até terminar de analisar todas as linhas. Uma piada! Pode ser meses ou anos...

Aconteceu com um imóvel que vendemos que foi registrado depois de cinco anos de idas e vindas para regularização.Criei nervos de aço e exercitei a principal virtude: a paciência. O nome de um dos herdeiros estava escrito errado e o fato foi visto depois de várias idas e vindas de 15 dias apontando outros erros sem perceber este e o que é pior, pedir mais 15 dias para arrumar algo que poderia ser feito junto com os outros arranjos. Isto na 1a. Circunscrição, em Curitiba. Cartório grande.

Talvez a decisão da Conselho Nacional da Justiça (CNJ) de tornar vaga a titularidade de 7.828 cartórios no Brasil e determinar que os novos titulares sejam escolhidos por concurso público, dê um basta a estas situações que nos tornam vítimas de um sistema viciado. A decisão do corregedor nacional da justiça, ministro Gilson Dipp, foi baseada na constituição e vai mexer num antigo ranço colonialista: a hereditariedade na titularidade.

Quando criança meu pai tinha um amigo que resolveu sua vida financeira depois que ganhou um cartório de registro de imóveis no interior no Paraná porque era "cabo eleitoral", e dos bons, de um dos nossos governadores de antigamente. Até hoje a família vive feliz para sempre usufruindo dos lucros deste negócio garantido.

2 comentários:

  1. Nossa, Mari...que piada mesmo!

    Eu não acredito que só agora pensaram em abrir concurso público para titular de cartório!!!

    Se nem o próprio cartório tá regularizado, imagina como eles podem regularizar a nossa situação tb!

    Cansei de entrar em cartórios no RJ com aparência feia, funcionários que nada sabiam informar.Isso há uns 4 anos atrás. To vendo que nada mudou...

    Vou repassar sua mensagem!

    ResponderExcluir
  2. Muito bem Mari, abre os olhos desse povo que esta ainda escravo desse sistema. Quando teremos a nossa alforria?

    ResponderExcluir